"Não se pode maternar sem sustentação. Não se pode maternar sem fusão emocional. Não se pode maternar sem buscar o próprio destino."
Laura Gutman, terapeuta argentina

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sábado, 23 de junho de 2012

Marcha pelo Parto em Casa

O movimento que mobilizou mais de 5 mil mulheres em 22 cidades do Brasil (e outras tantas nas redes sociais) começou para defender um médico, perseguido pelo Conselho de seus pares por ter defendido o parto em casa (como opção para maior parte das mulheres). mas ficou maior que isso, fala de humanização, assistência baseada em evidências científicas, respeito, amor e, entre mais tantas cisas, "protagonismo da mulher".

Turma do fundão da marcha em porto Alegria: só mulheres poderosas comigo!

O que é protagonismo no parto? É a mulher-mãe  (não mulherzinha-mãezinha) fazer seu próprio parto, aonde quiser, com o acompanhamento/ assistência/ companhia de quem preferir. Tomar as rédeas de sua vida nas mãos, procurar as informações nas fontes que confia, se auto-responsabilizar pelos riscos e decisões. 
"Meu parto foi eu que fiz!", dizia um dos cartazes que levamos. Taí uma expressão de nossa cultura que está nas nossas mãos mudar (a exemplo do clássico: foi um parto! para coisas horrorosas e difíceis). Se te perguntarem: "Quem fez seu parto?', responda (se assim foi: "Eu! (e meu filh@)"! 

Nascer Sorrindo caxias representando na Marcha pelo Parto em Casa  do RS


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Presentes...

Sou uma doula, mulher e mãe realmente agraciada pela vida!  Mesmo sem saber que dia 18 de dezembro era o Dia da Doula – uma iniciativa pra promover o trabalho destas mulheres pelos partos empoderados e felizes – recebi grandes oportunidades de crescimento deste aspecto tão importante em minha vida nos últimos tempos.
Primeiro acompanhar a chegada da pequena Maywa e todo processo de mais uma família (meio baiana-equatoriana- gaúcha-arcaverdiana) se formando com seus desafios e encantos. Depois, por meio destes “cumpadres”, a oportunidade de conhecer pessoalmente a arteira mexicana Naolí Viinaver – cujo trabalho acompanho há vários anos -  e que agora está morando e dando cursos aqui do lado, em Florrianópolis-SC.

Eu, Naolì e Amanda, outra gaúcha. Bah, que momento!

Naolí é mesmo uma mulher bela, vibrante e sábia como uma autêntica xamã da Lua. E tem o humor encantador de todos mexicanos que conheço. Transmite o conhecimento da forma que mais me inspira: uma ‘cuentista’, contadora de histórias. Histórias que cantam e dançam, histórias que nascem devagar ou como um raio, histórias que dão à luz.
Naolì em ação: ensinamentos de uma autêntica xamã da Lua

E, com ela, 40 mulheres poderosas de vários cantos do Brasil. Parteiras, enfermeiras, terapeutas e sobretudo doulas. As “doulas do Brasil”, compartilhando os sonhos, mais histórias e as tantas pedras no caminho de cada uma . Dispostas a rir como música, a se emocionar até mergulhar nas profundezas de suas próprias lágrimas e então a renascer. (Minha experiência com Renascimento, agora pela segunda vez, vale um relato na próxima oportunidade, basta dizer que já não sou a mesma).

mulheres...
Uma autêntica Imersão no mundo da gravidez, parto e pós-parto, na memória ancestral e de vida de todas as mulheres.  Encontrei algumas irmãs, comadres que com certeza já conhecia e outras que apenas vislumbrei o brilho.  Aprendi algo das dinâmicas de calor e frio pra mulher e o bebê, calorosamente, e carinhosamente  trabalhar a força  no manejo dos rebozos. Encontrei  a beleza de algo que já sabia na pele: É preciso amar a mulher eu está parindo. Se não parece possível, é preciso mudar alguma coisa para que se possa amá-la!
mais mulheres...
Bazar de Mães Dadas e sucesso do rebozo!
E como é preciso praticar o que aprendemos, já saí de Floripa direto pra casa de uma adorável amiga grávida, que se encantou com rebozo e com quem troquei impressões bem ao pé do ouvido: da vida, das vidas...depois foi outra amiga que ganhou, agradecida,  uma atenção de pós-parto, com olhos cheios de mar mesmo no alto da serra...Então, a festa do Nascer Sorrindo Caxias, justo no dia 18, feliz coincidência brindada de arco-íris no dia chuvoso -ensolarado. As grávidas também quiseram experimentar a massagem de rebozo, revirando os olhos (realmente é uma delícia!) e todos juntos  contar-se as novidades, e vê-las vivas na forma de crianças alegres correndo e barrigas crescidas. Trocar assim como tocar sempre é bom, curativo. Incrível a  experiência da troca material  onde os valores são outros (como no caso do 1º Bazar de Mães Dadas), onde o que foi usado por um leva a bênção pra outro, onde o que foi feito pelas mãos de alguém carrega seus encantamentos do bem!

Neste tempo em que se fala de presentes comprados e empacotados eu venho agradecer aos presentes sem medida que ganho da graça da vida. E a alegria de fazer girar a roda do dar e receber!

Lara e sua filha pintadas por Naolì: a roda da vida, nosso maior presente!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Maternagem Zen!

A convite dos amigos do coletivo ManifestaSol, levamos o tema da Maternagem Natural para Tenda da Lua - espaço da energia feminina - de um evento muito bacana que aconteceu pela primeira vez em Caxias, o ManifestaZen.  O evento reuniu terapeutas, estudiosos, focalizadores de grupos e curiosos de todos os tipos para buscar juntos uma mensagem essencial contida no próprio Zen:  a simples e misteriosa graça da vida! Para tanto, dançamos, brincamos, oramos, re-encontramos  amigos e corações e cantamos mantras tomando chá (festão!)
Foi uma delícia! A presença familiar da minha irmã fada Nati e das "comadres" do Nascer Sorrindo Caxias fez toda diferença. Mulheres (das que correm com os lobos!) e mesmo alguns meninos muito especiais criaram uma egrégora de sagrada leveza. Invocamos nossas ancestrais (aquelas das quais herdamos nossa herança!) e refletimos -rapida mas profundamente - sobre os ritos de conceber, gerar, parir e criar nossos filhos em conexão com Pachamama, ou seja, a mulher Sábia que vive em cada uma!


a Tenda da Lua do ManifestaZen

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Esse meu mar de emoções...

Mamãe Iemanjá
Brilhante como o luar prateado refletido nas espumas do mar, uma entidade vestida de branco e azul caminha sobre a água com os braços abertos abençoando a fertilidade. Assim é Iemanjá, a mãe de quase todos os orixás segundo a mitologia afro-brasileira, cuja data sincrética se comemora em 2 de fevereiro.

Levamos (com a  mana Nati e sua voz de sereia)  um pouco da Rainha do Mar para nosso encontro Nascer Sorrindo Caxias II/2011 -justamente no dia 2/2- em forma de dança malemolente, oração e hino de homenagem. O mar é o útero da vida, sempre em movimento ondulante, gerando e conduzindo. Em um de nossos livros de arquétipos femininos,  Iemanjá corresponde a Entrega, a chave para o mergulho nas profundas águas do inconsciente, própria essência do parto natural. Para mulher, este é um dos momentos mais selvagens e sexuais de sua vida, como pudemos compartilhar no relato sensível cheio de insights da Paula sobre o recente nascimento da pequena Luna (presente e participante), em casa com a equipe de Ric e Zeza e a doulita Rachel.
Ela contou sobre como enfrentou o desafio final que surge nas últimas braçadas da jornada do trabalho de parto, quando já avistamos a praia e, exauridas, pensamos que não temos mais força nenhuma. É hora de permitir o nascimento da mãe, forjada de sombra e luz, medo e coragem, e abraçá-la. Então, constatamos que éramos ainda mais fortes do que acreditávamos e que, agora sim,  estamos prontas. Suas palavras levaram-me às lágrimas em diversos momentos, assim como ver nosso Athos tão crescido e comunicativo. O corpo emocional de toda mulher segue a Lua como as marés, todos os meses.
Nascer Sorrindo Caxias II/2011 no dia de Iemanjá:
puras bênçãos, reencontros e emoção! 
Que bênçãos salgadas de Iemanjá recaiam sobre as mulheres que enfrentam tempestades, como tantas que encontro e outras que estão sempre em meu coração. Que embalem a confiança  no próprio corpo e na divindade interior que o habita, na intuição, na Natureza que nos ensina  e no Universo com suas  oportunidades e sua infinita abundância. E que não tarde o próximo abraço de amor fundamental de Mamãe Iemanjá.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Era uma vez este verão...

Meu ano-novo na Arca foi colorido pela  energética presença de 5 bebês muito ativos de 8 meses a 2,5 anos e um na barriga de sua mãe – todos meninos (essa nova era está mesmo cheia de homens yin-yang)! Encantamos o espaço embaixo da camélia para abrigar os pequenos – Cauã, Yishai, Tom Chico, Miguel e Joaquim - com direito a caixa de areia com guarda-sol, piscina embaixo das árvores (trazendo o lago mais pra pertinho) e barraquinha com livros e brinquedos. Quem mais curtiu foram as mamães que puderam compartilhar mates e coisas da vida mais sossegadas. As crianças se amavam e disputavam como verdadeiros irmãos e eu me emocionei imaginando o potencial de nossas redes, nossos círculos nossa comunidade maior.

ano novo lúdico!


Nascer Sorrindo Caxias reunido, que lindo!!!
E falando sobre rede, foi bonito de ver o segundo encontro do grupo Nascer Sorrindo Caxias que aconteceu em um espaço muito gostoso e repleto de boas vibes em Caxias.
Nesta casa, a Ivete e a Giovana (duas fadas-enfermeiras) vão realizar um trabalho bem profundo com casais para concepção-gestação-parto e puerpério  com consciência e conexão. Rever a Nati (e seu Athos crescido!) e a Rachel me fez muito bem, além de reecontrar e conhecer o demais elos desta família que se expande, aprende e discute, relata e se emociona com temas tão vibrantes como os novos seres que chegam a Terra! Fizemos a barriga de gesso da Paula e abençoamos a sua boa hora próxima –hoje ela já está com a Luna nos braços, nascida em casa cheia de saúde e cercada de amor. Ah, nosso próximo encontro é dia 2 de fevereiro, salve mamãe Iemanjá!

eu, Cris e nossos bebês: novíssima geração da família!
E já que o assunto é família, estive na praia da minha infância – condomínio Quadrado em Arroio do Silva - com Miguel, meus pais e minhas irmãs (Le chegou depois pra nos trazer pra casa!). Lá reencontrei, depois do intervalo de 5 anos! – os primos com quem passei todos os verões da minha infância e juventude, com quem dividi meu crescimento e descobertas. Hoje são nossos filhos que corem pelo Quadrado, entram nas casas uns dos outros, inventam jogos e tecem vínculos enquanto nós repetimos as mesmas rotinas de nossos pais...Literalmente muito familiar. Minha priminha Chris, amigona da mesma idade, agora é a mais nova mamãe da minha geração! Vê-la assim, com a bebê no peito tocou meu coração. Assistimos nossos vídeos do parto(a sua pequena Carol nasceu de parto normal hospitalar há 4 meses) , muitas informações e impressões entre risos e lágrimas, de nossas novas vidas!
Na Arca de volta, Miguel seguiu socializando com o amigo Abraão de 2 anos e 3 meses que nos visitou. É um barato é acompanhar os diálogos e a construção  de uma comunicação semi-verbal repleta de incomensurável pureza e verdade. Além de mais uma oportunidade de  contatar outra mãe do meu tempo, seus sonhos e desafios tão paralelos aos meus.
Hoje recebi o contato virtual de minha irmã cósmica Tai, um filha das águas - que está já pronta pra receber seu bebê e prepara o ninho material e energético. Desejaria que estivesses aqui, mas envio o barulho do vento nas folhas das árvores dizendo que estou e estarei ao seu lado sempre que precisar!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nasce uma famíia, uma doula, uma rede

Em uma vivência tocante do Sagrado Feminino na Arca, onde trabalhamos nossa ancestralidade, conheci Natália já grávida e sua irmã. Conectei-me com seu desejo de ter um parto natural, sua emoção ao conversar sobre o tema, sua determinação de buscar a equipe e apoio pra ancorar este sonho.
Após isso em em um  curso de agofloresta, conheci Marcelo, futuro pai e companheiro da Nati e comparilhei seu desejo de criar um mundo melhor para as crianças que estão chegando!
No curso de doulas, conheci e contatei profundamente Rachel, mãezona nata desde muito jovem, carinhosa com todos tal qual com seus três filhos, cheia de coragem para curar a as dores de opressão de seus partos levantando a bandeira da humanização. Doula de coração, articuladora, disposta, uma flor desabrochando.
Meu dom de tecelã de talentos foi colacado a serviço desta delicada rede que já deu alguns frutos: Rachel doulou o parto tão lindo da Nati dia 18 de novembro, em sua casa em Caxias do Sul-RS. 
Compartilhamos todos este estado de graça proporcionado por um nascimento em paz. Agora, juntas seguimos tecendo para plantar nas terras de minhas raízes (minha cidade natal), a semente do resgate do poder feminino e o ritual onde celebra-se seu ápice - o parto, bem como a arte do maternar e encontrar-se.
Athos e as "três mosqueteiras": mamãe Natália, eu e a doula Rachel
 Segue o relato de Rachel sobre sa estréia como doula, compartilhado em nossa lista:

Ontem  meu presente foi doular pela primeira vez. Minha querida Natalia, deu a luz ao Athos, um menino lindo, rosinha, cabeludo. Pus em prática tudo (ou quase tudo) o que aprendi. Mas o mais importante...foi estar ali com a alma...me senti parindo junto com ela. É uma energia indescritível...uma explosão, uma bomba de amor. Ver uma família nascendo cercada de tanto carinho é muito emocionante. E o melhor, a Nati deu a luz em casa, com suas coisas, com seus cheiros, com seus recantos preferidos, com as músicas que ela queria ouvir, com a mão do seu amor amparando sua dor, com carinho da mãe, de sogra, da mão insistente da doula. Dentro de uma banheira no seu quarto, com um dia de sol lindo. Athos nasceu calminho, pelas mãos sábias da Zeza e sob olhar do Ricardo. Esse dia nunca vai sair do meus olhos, me encheu de esperança e me deixou com uma vibração que vale por uma semana de meditação. Também fez crescer em mim essa vontade de gritar para as mulheres: Tenham seus filhos por vocês mesmas!
Façam valer SUA vontade!
BEM VINDO ATHOS!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pernambuco terra fértil para crianças e idéias


Mães de Pernambuco

Mulheres de clima quente
De pele morena de caju, olhos de castanha, cabelos de cocada
Ventres redondos como a lua cheia
Corpo de dança vibrando no ritmo dos tambores e das sanfonas
Peitos fartos e filhos fortes
Voz macia para embalar, ninar e consolar as dores
E mãos abertas para conduzir as cirandas e as rezas
E corações de mãe, gigantes  e infinitos como o mar
Cheios de coragem,  inundados de emoção
 fazendo amor, gerando amor, parindo amor,
criando amor...
o calor de vocês me aqueceu a alma!


com Kalinne no Bicho do Mato, crianças e fraldas,
 mateando e trocando

A lua cheia de primavera – que tive o privilégio de ver nascer amarela no mar de Olinda- trouxe-me de presente o encanto de algumas mulheres/mães nordestinas muito especiais. De passagem por Recife-PE, fui acolhida no Ecocentro Bicho do Mato, casa de Kalinne, uma menina-índia e fada de música e magia, mãe de 3 crianças (a mais nova Aylinn de apenas 2 meses). Por lá circularam pessoas de todo Brasil envolvidos com  a ExpoIdea, feira de Tecnologia, Cultura e Sustentabiidade do qual eu e Leandro (com Miguel)fomos convidados a participar levando nossa experiência em sensibilização ambiental.

reunião da Cais do Parto: Suely e suas mães
Estive presente na reunião semanal da ONG Cais do Parto em Olinda, ancorada pela querida amiga parteira Suely Carvalho, onde encontrei muitas famílias se formando. Uma mulher doula muito bela, inebriada pela energia profunda das mães recentes, trazia no sling seu bebê de 2 meses  e contou sua história emocionante. Foi um trabalho de parto  com pré-eclâmpsia induzido, no qual teve de ser  muito guerreira em suportar sem analgesia a dor das contrações com ocitocina para conseguir um parto mais natural possível. Depois disso fizemos um ritual de bênçãos e  energização para duas grávidas de 39 semanas, uma delas acompanhada dos pais ingleses, todos a flor da pele. Levei comigo as vozes tão doces, em especial da futura mãe de uma pequena Maria da Luz que cantou como uma deusa.

Miguel entre Aman Terra e Inti Cairé: "Nova Era, novo tempo, precisamos celebrar!"

No Bicho do Mato encontrei e re-conheci  a anciã  Mãe da Lua, mãe de 7 filhos  e avó- logo Miguel aprendeu a chamá-la  vovó - ela também mulher da floresta, guardiã de sons e ritmos sagrados de Pachamama. Sua primeira filha, Lua, nasceu prematura e ela ficou por muito tempo no hospital sem poder amamentá-la, embora tivesse já bastante leite disponível. Logo a notícia se espalhou entre as mães que não conseguiam dar de mamar a seus filhos e nasceu também este novo nome: A Mãe da Lua tem leite! Linda história, lindo nome,  linda mulher!
com lindas mães no estande da Ecob
A feira também rendeu ótimos encontros, especialmente os proporcionados pelo estande da Eco-B de produtos para o bebê ecológico. Uma das donas, Patrícia (que levou seus rebentos Iago e Nina, esta de 1 ano pra reunião da Cais) é superativista do parto humanizado. Eram fraldas de pano, livros, roupinhas de algodão orgânico, nossa, muita coisa. Vale a pena conferir: WWW.ecob.com.br.
Enquanto Miguel se divertia com um estande de brinquedos educativos eu ia me conectando com crianças lindas, mães e pais: Pablo, Edu, Thomas, Cris, Puã, Pétala, Bento e outros tantos nomes. Entre conversas sobre educação, saúde natural, alimentação das crianças ou novos filhos, íamos  tecendo uma rede tênue mas presente, com fios de amor e desejo de um mundo melhor para nossos pequenos.
 

com a doce Aylinn
 Mais uma história pra terminar:  Miguel colocou a mãozinha em uma barriga crescida que já se mexia, de uma menina florida  com quem me conectei muito, que mora em uma comunidade na Bahia. Ficou um tempo observando e até fechou um pouco os olhos pra depois exclamar: Luz! extamente como faz quando olha para as lâmpadas e para lua. São os canais abertos das crianças, percebendo tudo de uma forma muito mais sutil e intensa que a nossa.





segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A visita da anciã

zezé, suely, linda, paula, eu e mig

Como toda mulher, Suely Carvalho é jovem e velha ao mesmo tempo. Carregando o nome de minha avó materna (que pariu 5 em sua casa, onde também acontecia o parto de suas irmãs), trouxe-me  a ancestralidade da parteria tradicional baseada na experiência  e confiança.  Voando as tranças pelo Brasil e arredores, acompanhando o pique das também jovens seguidoras que a acompanham, se define como eterna aprendiz.
Receber em minha casa, a Arca Verde, a visita de Suely trazida pela doula Zezé foi uma delícia. Tomando chimarrão e café, comendo os chocolates (receita nova que deu certo de primeira!) do dia de São Cosme e São Damião, recebi notícias dos amigos comuns de perto e de longe, e  do que se faz naquele outro Brasil chamado nordeste. Da formação de aprendizes de parteiras ancorada em ferramentas espirituais, de vivenciar o próprio nascimento e a história familiar pra tecer auto-conhecimento, das tendas vermelhas do tempo de Jacó e suas esposas, só pra citar alguns aspectos do trabalho com o Sagrado Feminino que Suely realiza especialmente entre Pernambuco e Bahia. É saboroso trocar idéias, experiências e emoções sobre meu assunto preferido desde que a barriga se pôs a crescer pulsando uma nova vida: o desafiante estado de graça da maternidade.  
Ser mãe é reviver a história de nossas mães, uma oportunidade de curar relações. Ser avó é passar de novo por isso em outra volta da espiral da vida. Vejo isso em minha mãe e minha vó paterna, que tem uma relação encantadora com meu MIguel. Suely já é também bisavó e compartilhou que desconhecia o tamanho de sua capacidade de amar antes de conhecer os netos.  Assim voltamos a construir a história de nossos poderosos clãs femininos familiares, cheios de mães, tias e avós e assim encontrar a nós mesmas.
Em breve, espero que Suely volte para conduzir na Arca uma vivência conosco. Também é de meu desejo me tornar uma aprendiz de parteira e ajudar a trazer ao mundo as crianças da nova era! Ahá