"Não se pode maternar sem sustentação. Não se pode maternar sem fusão emocional. Não se pode maternar sem buscar o próprio destino."
Laura Gutman, terapeuta argentina

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sábado, 23 de junho de 2012

Marcha pelo Parto em Casa

O movimento que mobilizou mais de 5 mil mulheres em 22 cidades do Brasil (e outras tantas nas redes sociais) começou para defender um médico, perseguido pelo Conselho de seus pares por ter defendido o parto em casa (como opção para maior parte das mulheres). mas ficou maior que isso, fala de humanização, assistência baseada em evidências científicas, respeito, amor e, entre mais tantas cisas, "protagonismo da mulher".

Turma do fundão da marcha em porto Alegria: só mulheres poderosas comigo!

O que é protagonismo no parto? É a mulher-mãe  (não mulherzinha-mãezinha) fazer seu próprio parto, aonde quiser, com o acompanhamento/ assistência/ companhia de quem preferir. Tomar as rédeas de sua vida nas mãos, procurar as informações nas fontes que confia, se auto-responsabilizar pelos riscos e decisões. 
"Meu parto foi eu que fiz!", dizia um dos cartazes que levamos. Taí uma expressão de nossa cultura que está nas nossas mãos mudar (a exemplo do clássico: foi um parto! para coisas horrorosas e difíceis). Se te perguntarem: "Quem fez seu parto?', responda (se assim foi: "Eu! (e meu filh@)"! 

Nascer Sorrindo caxias representando na Marcha pelo Parto em Casa  do RS


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Presentes...

Sou uma doula, mulher e mãe realmente agraciada pela vida!  Mesmo sem saber que dia 18 de dezembro era o Dia da Doula – uma iniciativa pra promover o trabalho destas mulheres pelos partos empoderados e felizes – recebi grandes oportunidades de crescimento deste aspecto tão importante em minha vida nos últimos tempos.
Primeiro acompanhar a chegada da pequena Maywa e todo processo de mais uma família (meio baiana-equatoriana- gaúcha-arcaverdiana) se formando com seus desafios e encantos. Depois, por meio destes “cumpadres”, a oportunidade de conhecer pessoalmente a arteira mexicana Naolí Viinaver – cujo trabalho acompanho há vários anos -  e que agora está morando e dando cursos aqui do lado, em Florrianópolis-SC.

Eu, Naolì e Amanda, outra gaúcha. Bah, que momento!

Naolí é mesmo uma mulher bela, vibrante e sábia como uma autêntica xamã da Lua. E tem o humor encantador de todos mexicanos que conheço. Transmite o conhecimento da forma que mais me inspira: uma ‘cuentista’, contadora de histórias. Histórias que cantam e dançam, histórias que nascem devagar ou como um raio, histórias que dão à luz.
Naolì em ação: ensinamentos de uma autêntica xamã da Lua

E, com ela, 40 mulheres poderosas de vários cantos do Brasil. Parteiras, enfermeiras, terapeutas e sobretudo doulas. As “doulas do Brasil”, compartilhando os sonhos, mais histórias e as tantas pedras no caminho de cada uma . Dispostas a rir como música, a se emocionar até mergulhar nas profundezas de suas próprias lágrimas e então a renascer. (Minha experiência com Renascimento, agora pela segunda vez, vale um relato na próxima oportunidade, basta dizer que já não sou a mesma).

mulheres...
Uma autêntica Imersão no mundo da gravidez, parto e pós-parto, na memória ancestral e de vida de todas as mulheres.  Encontrei algumas irmãs, comadres que com certeza já conhecia e outras que apenas vislumbrei o brilho.  Aprendi algo das dinâmicas de calor e frio pra mulher e o bebê, calorosamente, e carinhosamente  trabalhar a força  no manejo dos rebozos. Encontrei  a beleza de algo que já sabia na pele: É preciso amar a mulher eu está parindo. Se não parece possível, é preciso mudar alguma coisa para que se possa amá-la!
mais mulheres...
Bazar de Mães Dadas e sucesso do rebozo!
E como é preciso praticar o que aprendemos, já saí de Floripa direto pra casa de uma adorável amiga grávida, que se encantou com rebozo e com quem troquei impressões bem ao pé do ouvido: da vida, das vidas...depois foi outra amiga que ganhou, agradecida,  uma atenção de pós-parto, com olhos cheios de mar mesmo no alto da serra...Então, a festa do Nascer Sorrindo Caxias, justo no dia 18, feliz coincidência brindada de arco-íris no dia chuvoso -ensolarado. As grávidas também quiseram experimentar a massagem de rebozo, revirando os olhos (realmente é uma delícia!) e todos juntos  contar-se as novidades, e vê-las vivas na forma de crianças alegres correndo e barrigas crescidas. Trocar assim como tocar sempre é bom, curativo. Incrível a  experiência da troca material  onde os valores são outros (como no caso do 1º Bazar de Mães Dadas), onde o que foi usado por um leva a bênção pra outro, onde o que foi feito pelas mãos de alguém carrega seus encantamentos do bem!

Neste tempo em que se fala de presentes comprados e empacotados eu venho agradecer aos presentes sem medida que ganho da graça da vida. E a alegria de fazer girar a roda do dar e receber!

Lara e sua filha pintadas por Naolì: a roda da vida, nosso maior presente!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Marcela e Samadhi e o parto desassistido

No último dia 28/6, às 13h35 aconteceu um milagre, na Arca Verde, ante aos meus olhos. Mais um novo ser humano deu seu primeiro grito no mundo louco que conhecemos. Mais uma jovem mulher se tornou mãe e nasceu também um pai. E um sol apareceu para trazer alento ao inverno gelado. Os ciclos da vida-morte-vida seguem seu curso,  todos os dias.

Um milagre aconteceu: mais um bebê chegou cheio de luz!
Na Páscoa, quando chegaram Marcela e Miná, muito grávidos e curiosos, eu perguntei a ela quem ia acompanhá-la no parto. “Vamos fazer só nós dois”, ela respondeu com uma tranqüilidade incomum. Após uns dias de convivência, eles manifestaram a idéia de fazer uma experiência comunitária conosco. E decidiram que este era o melhor ninho possível para o bebê nascer.  
As semanas se passaram cheias de conversas e informações.  O pré-natal (no sistema público) mostrava tudo bem, os medos do futuro  puderam expressar-se e dissiparem-se. Mas Marcela, apesar ou talvez justamente por sua tão pouca idade (21 anos!), parecia cada vez mais serena.  Achei que eles estavam certos de que o bebê ia demorar mais do que o previsto, pois não via sequer roupinhas, fraldas ou cueiros, a barriga estava relativamente pequena e a própria Marcela dizia ter nascido com passadas 42 semanas de gestação. Mas não deixei de reparar no divertimento do casal quando limpava e reformava uma velha tina para servir de banheira, ensaiando posições para o parto. Eles agradeceram  e anotaram os contatos de obstetras e parteiras humanizados (apresentei-os inclusive a minha própria equipe de parto domiciliar em um evento do grupo Nascer Sorrindo Caxias). Ainda assim, nas 39 semanas, o casal confirmou a todos que tinha certeza de que o parto seria assim, em casa e sob sua total responsabilidade.  Se eu quisesse, teria prazer em me ter como doula, consciente do papel da acompanhante do parto.  E assim foi, um dia antes de completar 40 semanas. E tudo correu melhor do que eu poderia imaginar.     
Claro que Marcela não foi a primeira mulher que conheci – além de outras histórias que já escutei e li – que aptou pelo parto desassistido (sem médico ou parteira). Uma delas – que já tinha passado dos 40 anos quando teve a primeira filha das duas que pariu sozinha -  dizia para outra amiga grávida na ocasião: “Parto não tem mistério, não, gente. Leia o Parto Ativo (livro de Janet Balaskas) e pronto, não precisa tanta coisa.” Mesmo assim, eu pessoalmente não faria, e não recomendo a todos, especialmente quando não tem a mais absoluta segurança desta opção. Acredito na magia e beleza da atuação da parteira experiente quando conectada com sua missão. É uma transferência do conhecimento antigo das mulheres, da anciã para a jovem que aprende vivenciando e poderá transmitir esta arte àquelas que vierem depois. Um verdadeiro hino de amor à Mulher Selvagem.
 Porém, não deixei de emocionar-me com a conexão de Marcela com seu próprio corpo, ciente de cada etapa do trabalho de parto e nos primeiros momento com o bebê. Me chamou pelas 9 da manhã, após a madrugada de contrações quando recebeu acupuntura e massagem chinesa do companheiro terapeuta. Na banheira por um longo período, ainda falamos com calma sobre a possibilidade de um plano B (o carro estava preparado, bem como o telefone do médico na mão). Deixei claro que estaria ao lado dela de qualquer maneira. Ela apenas sorriu e segurou minha mão. As contrações foram tornando-se mais intensas e me mantive sempre muito segura, como se meu instinto também estivesse aguçado para saber que posição sugerir, onde tocar, o que oferecer. Perto do período expulsivo, ela foi ao banheiro sozinha com o marido, e na volta, preferiu ficar na cama um pouco. Foi quando me disse que estava sentindo abrir e que tinha vontade de empurrar. Começaram aqueles gritos ancestrais – de dor-medo- libertação-poder, tudo junto - que conhecemos tão bem e  apenas por um momento  questionei se realmente eles eram o perfil de casal para este tipo de parto. Respirei fundo e procurei me concentrar no momento presente. Olhei pelo espelho quando ela garantiu que estava sentindo a cabeça descer. E a vi. Chorei de emoção.

Trabalho de parto de Marcela, comigo e o marido Miná:
Samahi chegando mesmo!

Marcela ficou em pé e acocorada aos pés da cama e preparamos as toalhas e fraldinhas.  Le chegou neste momento, com o almoço, e pedi pra ele tomar a câmera. Segurei Marcela  por baixo dos braços e a ergui um pouco (sem pensar muito tecnicamente, mas seguindo meu instinto) para  bebê ter espaço para passar. Foi amparado pelas mãos do pai, ativo e corado e no instante seguinte já dava os primeiros chorinhos no peito da mãe. Quando ele passou, em uma só contração, já pude vislumbrar de relance: “Um menino!” (era surpresa), quando Marcela dizia suas boas-vindas: “Meu bebê!”. Nascido na mesma casa e quase no memso lugar que em novembro de 2009 nascia outro bebê: Davi, filho da Anita e Samuca, outro parto, outro milagre que tive a graça de acompanhar.

A banheira, a tesoura, o almoço e o fogão a lenha:
 parto como antigamente 
Na cama, Marcela aspirou com a boca o líquido do nariz do pequeno Samadhi. Ninguém disse a ela o que fazer, ela simplesmente fez.  Miná cortou o cordão depois de nascida a placenta, com minha tesoura de tricô (presente da amiga alemã Petra), fervida como antigamente. Logo Miguel entrou e deu as boas vindas do reino das crianças, chamando o pequeno pelo nome (na Yoga, Samadhi é o estado de perfeita união com Deus).  A paz reinou o tempo todo na casa pequena e despreparada e ainda nos inebria, passada uma semana. O bebê, que pesou 2,8kg, já parece maior e está mamando cada dia mais, o umbigo já cicatrizou. Pra mim, outro renascimento, como doula, mãe e Mulher (quem sabe um dia aprendiz de parteira).  Acendi uma velinha em Gratidão ao Universo – que afinal, permitiu que tudo corresse bem, pedindo saúde para nova família e  a dádiva de que mais e mais crianças possam vir ao mundo com tanta luz e simplicidade.        

domingo, 8 de maio de 2011

Nosso grupo é notícia em Caxias

Escrevo desde o dia das Mães conectada com tantas mulheres maravilhosas que compõe meu clã para contar que na última semana o parto humanizado tornou-se notícia em Caxias do Sul - RS. O grupo Nascer Sorrindo - que ajudei a ´"parir" e já caminha sobre as próprias pernas mostrou-se com muita verdade em uma matéria sensível e completa (como uma apresentação do tema) de Tríssia Ordovás Sartori para o jornal Pioneiro.Confira por aqui!



Nascer Sorrindo Caxias (ou algumas de suas participantes mais confirmadas:
Lígia, Nati, Rachel, eu e Paula com os pequenos Athos e Luna
fotografados por Maicon Damasceno para o jornal Pioneiro 
 Além da reportagem, a doula Rachel também foi requisitada para falar sobre o tema para o rádio e na TV UCS (com a Paula mãe da Luna), além de dar palestra em uma loja de gestantes. Nada mal para quem sentia que falar de "doula" era o mesmo que falar de "girimum"! Em todas as oportunidades a repercussão foi positiva, uma vez que contamos sobre o que acreditamos com nosso coração.

Nosso encontro NSC esta semana foi especial para celebrar a data festiva - uma boa desculpa pra se estar com a mãe e sentir-se acolhida em seu amor incondicional. levamos nossas próprias mãe pra contarem suas experiências: tanto as de pertencerem a ùltima geração dos nascidos em casa, da chegada de seus próprios filhos e das suas ecolhas. Por fim, desfrutar juntas o encantamento de terem se tornado avós (as crianaçs também estavam lá, que delícia para o orgulho geral!).


sábado, 7 de maio de 2011

Celebramos a vida! - como foi a I Vivência pra Futuras Mães

A primeira Vivência para Futuras Mães foi bela como uma flor se abrindo - ícone de começo e do despertar. Apesar de poucas mulheres terem ouvido o chamado para estar lá - talvez até literalmente, o que nos fez repensar a divulgação para um público tão específico - a experiência e aprendizado foram gigantescos. Acabamos por integrar mais os meninos (que se mostraram autênticos papais da nova era!), e a própria equipe de poderosas mulheres de nosso clã.

Tainá, queridona, com seu pequeno Amaru, hora no peito, ora dormindo, trouxe sua rica experiência de mãe recente e professora de yoga (e sua preparação pro parto natural) em uma oportunidade inesperada de voltar a atuar  apoiada pela rede da comunidade. Linda e Fábia - uma mamãe pro futuro e uma doula nata - encantaram com seus tambores e vozes na floresta, danças e histórias, massagens e meditações labirínticas. Os meninos e suas delícias saudáveis são sempre um presente. Eu fiquei feliz por me encontrar uma educadora perinatal bastante segura e inspirada (com informações estudadas e scutadas desde quando descobri que estava grávida), agora com mais bagagem e ferramentas para compartilhar!


Pinturas corporais (ou, no caso, "barrigais") expressaram o contato com
a vida que pulsa e cresce!
 Um lindo figurino pra dança afro: momentos belos de uma bela Vivência
Adorei aprender a sessão básica de reflexologia que casou superbem após o escalda-pés de lavanda (um momento divino da Vivência!). Será o presente de Dia das Mães pra minha querida mama (essa mais do que merece relaxar do pique necessário pra ser vó do pequeno trovão Miguel)! Toque e carinho, cuidado e cura, tudo que as mães da Terra (e a pópria)  precisam pra celebrar seu amor generoso e abundante.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O poder das Mulheres

Girando dançamos de mãos dadas
Tecando nossas vidas em um círculo
Com poder do amor
Seguimos a dançar...

Vivências do feminino, Corpo e Movimento
As deusas de cada uma cirandando
Um encontro de mães, filhas e crianças, que delícia!
As mamães no Casarinho, nas 9 luas da Tai:
bênçãos e histórias de tantos nascimentos...
Curso de Artesanato em Vime na Arca e a poderosa professora Petra
com minha doce Nati e a encantadora Talita
Mãos de mulheres tecendo redes de amor e apoio mútuo


domingo, 16 de janeiro de 2011

Era uma vez este verão...

Meu ano-novo na Arca foi colorido pela  energética presença de 5 bebês muito ativos de 8 meses a 2,5 anos e um na barriga de sua mãe – todos meninos (essa nova era está mesmo cheia de homens yin-yang)! Encantamos o espaço embaixo da camélia para abrigar os pequenos – Cauã, Yishai, Tom Chico, Miguel e Joaquim - com direito a caixa de areia com guarda-sol, piscina embaixo das árvores (trazendo o lago mais pra pertinho) e barraquinha com livros e brinquedos. Quem mais curtiu foram as mamães que puderam compartilhar mates e coisas da vida mais sossegadas. As crianças se amavam e disputavam como verdadeiros irmãos e eu me emocionei imaginando o potencial de nossas redes, nossos círculos nossa comunidade maior.

ano novo lúdico!


Nascer Sorrindo Caxias reunido, que lindo!!!
E falando sobre rede, foi bonito de ver o segundo encontro do grupo Nascer Sorrindo Caxias que aconteceu em um espaço muito gostoso e repleto de boas vibes em Caxias.
Nesta casa, a Ivete e a Giovana (duas fadas-enfermeiras) vão realizar um trabalho bem profundo com casais para concepção-gestação-parto e puerpério  com consciência e conexão. Rever a Nati (e seu Athos crescido!) e a Rachel me fez muito bem, além de reecontrar e conhecer o demais elos desta família que se expande, aprende e discute, relata e se emociona com temas tão vibrantes como os novos seres que chegam a Terra! Fizemos a barriga de gesso da Paula e abençoamos a sua boa hora próxima –hoje ela já está com a Luna nos braços, nascida em casa cheia de saúde e cercada de amor. Ah, nosso próximo encontro é dia 2 de fevereiro, salve mamãe Iemanjá!

eu, Cris e nossos bebês: novíssima geração da família!
E já que o assunto é família, estive na praia da minha infância – condomínio Quadrado em Arroio do Silva - com Miguel, meus pais e minhas irmãs (Le chegou depois pra nos trazer pra casa!). Lá reencontrei, depois do intervalo de 5 anos! – os primos com quem passei todos os verões da minha infância e juventude, com quem dividi meu crescimento e descobertas. Hoje são nossos filhos que corem pelo Quadrado, entram nas casas uns dos outros, inventam jogos e tecem vínculos enquanto nós repetimos as mesmas rotinas de nossos pais...Literalmente muito familiar. Minha priminha Chris, amigona da mesma idade, agora é a mais nova mamãe da minha geração! Vê-la assim, com a bebê no peito tocou meu coração. Assistimos nossos vídeos do parto(a sua pequena Carol nasceu de parto normal hospitalar há 4 meses) , muitas informações e impressões entre risos e lágrimas, de nossas novas vidas!
Na Arca de volta, Miguel seguiu socializando com o amigo Abraão de 2 anos e 3 meses que nos visitou. É um barato é acompanhar os diálogos e a construção  de uma comunicação semi-verbal repleta de incomensurável pureza e verdade. Além de mais uma oportunidade de  contatar outra mãe do meu tempo, seus sonhos e desafios tão paralelos aos meus.
Hoje recebi o contato virtual de minha irmã cósmica Tai, um filha das águas - que está já pronta pra receber seu bebê e prepara o ninho material e energético. Desejaria que estivesses aqui, mas envio o barulho do vento nas folhas das árvores dizendo que estou e estarei ao seu lado sempre que precisar!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A dança da vida


Vivências do Feminino
Corpo e Movimento
Aprender a dançar a vida é fundamental para as mulheres que se vêem perdidas nos tantos papéis que exercem no dia-a-dia. Pelo movimento nos conectamos com a nossa essência de deusas e homenageamos o Sagrado presente em cada uma. Com os pés na terra e os braços erguidos ao céu, damos as mãos e alçamos juntas esse vôo de ritmo e contato, revivendo as antigas tradições! A Terra chama por suas filhas, vamos cirandar juntas!
*chegada no dia 21 a tarde e noite, com jantar incluído

22 E 23 DE JANEIRO DE 2011*
Instituto Arca Verde – São Francisco de Paula – RS
Sábado 22/01- Desjejum
- Abertura (Ritual do Movimento)
- Danças Circulares I
- Almoço
- Vivência dos 5 ritmos
- Oficina de dança afro
- Jantar
- Celebração dançante


Domingo 23/01- Meditação dinâmica
- Desjejum
- Vivência em dança somática
- Danças Circulares II
- Almoço
- Tarde livre opcional (banho de lago, trilha ecológica)
Contribuição SugeridaR$ 95 em camping ou R$115 em alojamento.
Inclui alimentação vegetariana saudável e hospedagem.
Informações e inscrições:

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O encontro com a sombra

Estou certa de que estamos no mundo para aprender e poucas coisas nos ensinam mais do que aquilo que escondemos, temos medo ou não aceitamos em nós mesmos e relegamos à sombra. Para a terapeuta argentina Laura Gutman a maternidade é uma excelente oportunidade de trazermos a luz e abraçarmos este aspecto através da fusão emocional com nossos bebês (que se tornam nossos espelhos).
A maternidade e o encontro com a própria sombra (que encontrei na livraria Cultura em Recife, recém-lançado!) tem me trazido muitos insights sobre minha própria experiência de maternagem e tantas que acompanhei. Passei os olhos por este livro e outros da autora em espanhol ainda na gravidez e comecei a estudar, refletir e buscar informações sobre este tema. Mesmo com histórias tão diferentes, absolutamente TODAS minhas amigas mães (e eu mesma) relataram ter passado (ou estarem passando) por “altos processos” emocionais nos dois primeiros anos com o bebê.  Pra que isso nos acontece?  Pra mim, tinha que ver com o deixar morrer a pessoa que fomos para que nasça uma nova mulher. Mas que ritos de passagem precisamos enfrentar para “parir” essa transformação?

“Transformar-se em mãe-bebê e atravessar o puerpério em um estado de consciência de outra ordem. É preciso que as mães enlouqueçam um pouco, e para isso elas precisam do apoio daqueles que as amam, que lhes permitam abandonar sem risco o mundo racional, as decisões lógicas, as idéias, a atividade, os horários, as obrigações. É indispensável submergir nas águas do oceano do recém-nascido, aceitar as sensações oníricas e abandonar o mundo material”.
 E quem de nós não enlouqueceu ,  esqueceu coisas, ficou a flor da pele? Uma amiga psicóloga contou que, após viver toda vida adulta aprendendo a controlar sua emoção especialmente no que se referia a seus pacientes, ganhou sua filha e chorava aos berros na frente de todas as visitas, totalmente incapaz de dominar este impulso. Libertou sua emoção maternando! São muitos os exemplos, no meu grupo virtual de mães (que aliás, me ajudou demais neste período) pude constatar o quanto é natural sentir-se assim.
Parto empoderado
O parto é a “erupção de um vulcão” interno, um rompimento espiritual. Aí mais um motivo crucial pelo temos que retomar nosso poder nesta hora. Assim, vivenciando o parto (celebração máxima do encontro com nossa sombra)  como um “acontecimento íntimo, sexual, amoroso, pessoal, único e mágico“ estaremos fortalecidas para começar lentamente a juntar nossos pedaços e reconstruir-nos. Lembrando que um vulcão nunca é o mesmo depois de uma abertura como essa.
Lactação
Primeiro desafio para mulher puérpera, desligada de suas referências anteriores (trabalho, amigos, estudos, lugares, sono, diversão) e em franca fusão emocional com seu bebê,  a amamentação é um resgate da nossa mulher selvagem. “Dar de mamar é se despojar das mentiras que nos contamos durante toda vida sobre quem somos ou deveríamos ser. É estarmos soltas, poderosas, famintas como lobas, leoas, tigresas, cangurus ou gatas”. 
Sexualidade
Após isso, a redescoberta da sexualidade, agora profundamente yin: “sutil, lenta, sensível, feita de carícias e abraços”. A mulher está sempre com seu bebê nos braços, ainda que ele pareça dormindo no berço, e a relação amorosa  dos pais necessariamente inclui a criança. A libido das mães se transfere para os seios, nosso desejo se transforma  bem como nossa forma de fazer amor. É o momento do homem desenvolver junto com a companheira a parte feminina de sua sexualidade. Se todo carinho for tomado como um convite para o sexo, corre-se o risco de criar um abismo entre o casal. 
 
A maternidade e o encontro com  apropria sombra – O resgate do relacionamento entre mães e filhos
Autora: Laura Gutman
 Tradução: Luís Carlos Cabral
Ed. Best Seller, 2010
 
 
E por aí vai: alimentação, problemas de sono e doenças infantis,  controle dos esfíncteres, os papéis familiares, comunicação com o bebê,   momento da separação emocional após os 2 anos... enfim, os temas de nosso cotidiano através de um outro olhar. Um olhar que valoriza introspecção, auto-questionamento em busca de nossa verdade pessoal, enfrentamento dos traumas e segredos e crescimento espiritual. Este conhecimento me trouxe mais força na convicção de trabalhar com as mães recentes, as tais “puérperas”, e ajudá-las  a entregar-se para atravessar este período, apoiadas umas pelas outras. Por nós, por nossos filhos e pelo mundo!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Reflexões de Natal

Natal significa literalmente “nascimento”, palavra que aparece com freqüência no vocabulário obstétrico (pré-natal, neonatologista, etc). Todo ano, em dezembro,  celebramos ritualmente o ilustre nascimento do personagem mais célebre da nosso mitologia ocidental: Jesus (que viria a tornar-se Cristo). Aquele que veio com a missão de trazer para a humanidade a mensagem de Amor de Deus.
Me encanto com os presépios, de verdade, e os signos representados naquela cena congelada. Especialmente, um momento carregado daquela aura  divina que cerca a tríade recém-nascida: mãe, pai e filho. Cada criança que nasce também é um milagre de pureza, como aquela no berço de palha cercada de animais, pastores e reis. Cada criança nasce com uma estrela de potencial sobre sua cabeça e com espíritos benfazejos a sua volta. Em quantos nascimentos contemporâneos podemos observar tamanha paz e simplicidade?
Nunca vi em um presépio  Maria amamentando Jesus, na maioria nem sequer o segura nos braços. Infelizmente, a religião de valores masculinos tirou toda a sexualidade desta mulher - a a  única estrela feminina do “panteão cristão”- criando uma mãe virgem (palavra que originalmente significa inteira). A Maria selvagem, fêmea, que pariu no chão da estrebaria ao lado do marido e dos bichos não aparece (com sua cria no seio). Recatos que reproduzimos sem querer...
A Igreja incorporou as antigas festas pagãs  conectadas com os ciclos naturais ao seu calendário  festivo. Neste caso, o solstício de inverno do hemisfério norte. Os pinheiros enfeitados, as cores verde-escura (da floresta adormecida) e vermelha (do fogo) e por aí vai...Pra mim é um símbolo da tamanha desconexão com a natureza em que nos encontramos celebrar nosso soslstício de verão debaixo de neve artiificial,  renas e personagens agasalhados. Um dia quero contar ao Miguel que o papai Noel é uma lenda do outro lado do mundo que nos ensina a imensa gratidão que é “dar de coração”. Mas que muitas vezes é mal entendido pelas pessoas que fazem dele um ícone de um consumismo insustentável.

Miguel brinca encantado com o calendário do Advento

Minha querida amiga Linda nos presenteou com um pouco de sua cultura da Alemanha: um  belo e singelo Calendário do Advento feito por suas habilidosas mãos, cheio de surpresas e momentos de contemplação e espera. Miguel adorou abrir todo dia um envelope, e minha criança interior aguardava para curtir cada chazinho, poesia ou receita.  Enfeitei as 4 velinhas (correspondente aos  4 domingos antes do Natal) com um pouco da abundância da terra nesta época: flores, frutos e cores! Com estas pequenas magias espero iluminar a infância do Miguel, um presente de Deus que a família não cansa de celebrar!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nasce uma famíia, uma doula, uma rede

Em uma vivência tocante do Sagrado Feminino na Arca, onde trabalhamos nossa ancestralidade, conheci Natália já grávida e sua irmã. Conectei-me com seu desejo de ter um parto natural, sua emoção ao conversar sobre o tema, sua determinação de buscar a equipe e apoio pra ancorar este sonho.
Após isso em em um  curso de agofloresta, conheci Marcelo, futuro pai e companheiro da Nati e comparilhei seu desejo de criar um mundo melhor para as crianças que estão chegando!
No curso de doulas, conheci e contatei profundamente Rachel, mãezona nata desde muito jovem, carinhosa com todos tal qual com seus três filhos, cheia de coragem para curar a as dores de opressão de seus partos levantando a bandeira da humanização. Doula de coração, articuladora, disposta, uma flor desabrochando.
Meu dom de tecelã de talentos foi colacado a serviço desta delicada rede que já deu alguns frutos: Rachel doulou o parto tão lindo da Nati dia 18 de novembro, em sua casa em Caxias do Sul-RS. 
Compartilhamos todos este estado de graça proporcionado por um nascimento em paz. Agora, juntas seguimos tecendo para plantar nas terras de minhas raízes (minha cidade natal), a semente do resgate do poder feminino e o ritual onde celebra-se seu ápice - o parto, bem como a arte do maternar e encontrar-se.
Athos e as "três mosqueteiras": mamãe Natália, eu e a doula Rachel
 Segue o relato de Rachel sobre sa estréia como doula, compartilhado em nossa lista:

Ontem  meu presente foi doular pela primeira vez. Minha querida Natalia, deu a luz ao Athos, um menino lindo, rosinha, cabeludo. Pus em prática tudo (ou quase tudo) o que aprendi. Mas o mais importante...foi estar ali com a alma...me senti parindo junto com ela. É uma energia indescritível...uma explosão, uma bomba de amor. Ver uma família nascendo cercada de tanto carinho é muito emocionante. E o melhor, a Nati deu a luz em casa, com suas coisas, com seus cheiros, com seus recantos preferidos, com as músicas que ela queria ouvir, com a mão do seu amor amparando sua dor, com carinho da mãe, de sogra, da mão insistente da doula. Dentro de uma banheira no seu quarto, com um dia de sol lindo. Athos nasceu calminho, pelas mãos sábias da Zeza e sob olhar do Ricardo. Esse dia nunca vai sair do meus olhos, me encheu de esperança e me deixou com uma vibração que vale por uma semana de meditação. Também fez crescer em mim essa vontade de gritar para as mulheres: Tenham seus filhos por vocês mesmas!
Façam valer SUA vontade!
BEM VINDO ATHOS!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pernambuco terra fértil para crianças e idéias


Mães de Pernambuco

Mulheres de clima quente
De pele morena de caju, olhos de castanha, cabelos de cocada
Ventres redondos como a lua cheia
Corpo de dança vibrando no ritmo dos tambores e das sanfonas
Peitos fartos e filhos fortes
Voz macia para embalar, ninar e consolar as dores
E mãos abertas para conduzir as cirandas e as rezas
E corações de mãe, gigantes  e infinitos como o mar
Cheios de coragem,  inundados de emoção
 fazendo amor, gerando amor, parindo amor,
criando amor...
o calor de vocês me aqueceu a alma!


com Kalinne no Bicho do Mato, crianças e fraldas,
 mateando e trocando

A lua cheia de primavera – que tive o privilégio de ver nascer amarela no mar de Olinda- trouxe-me de presente o encanto de algumas mulheres/mães nordestinas muito especiais. De passagem por Recife-PE, fui acolhida no Ecocentro Bicho do Mato, casa de Kalinne, uma menina-índia e fada de música e magia, mãe de 3 crianças (a mais nova Aylinn de apenas 2 meses). Por lá circularam pessoas de todo Brasil envolvidos com  a ExpoIdea, feira de Tecnologia, Cultura e Sustentabiidade do qual eu e Leandro (com Miguel)fomos convidados a participar levando nossa experiência em sensibilização ambiental.

reunião da Cais do Parto: Suely e suas mães
Estive presente na reunião semanal da ONG Cais do Parto em Olinda, ancorada pela querida amiga parteira Suely Carvalho, onde encontrei muitas famílias se formando. Uma mulher doula muito bela, inebriada pela energia profunda das mães recentes, trazia no sling seu bebê de 2 meses  e contou sua história emocionante. Foi um trabalho de parto  com pré-eclâmpsia induzido, no qual teve de ser  muito guerreira em suportar sem analgesia a dor das contrações com ocitocina para conseguir um parto mais natural possível. Depois disso fizemos um ritual de bênçãos e  energização para duas grávidas de 39 semanas, uma delas acompanhada dos pais ingleses, todos a flor da pele. Levei comigo as vozes tão doces, em especial da futura mãe de uma pequena Maria da Luz que cantou como uma deusa.

Miguel entre Aman Terra e Inti Cairé: "Nova Era, novo tempo, precisamos celebrar!"

No Bicho do Mato encontrei e re-conheci  a anciã  Mãe da Lua, mãe de 7 filhos  e avó- logo Miguel aprendeu a chamá-la  vovó - ela também mulher da floresta, guardiã de sons e ritmos sagrados de Pachamama. Sua primeira filha, Lua, nasceu prematura e ela ficou por muito tempo no hospital sem poder amamentá-la, embora tivesse já bastante leite disponível. Logo a notícia se espalhou entre as mães que não conseguiam dar de mamar a seus filhos e nasceu também este novo nome: A Mãe da Lua tem leite! Linda história, lindo nome,  linda mulher!
com lindas mães no estande da Ecob
A feira também rendeu ótimos encontros, especialmente os proporcionados pelo estande da Eco-B de produtos para o bebê ecológico. Uma das donas, Patrícia (que levou seus rebentos Iago e Nina, esta de 1 ano pra reunião da Cais) é superativista do parto humanizado. Eram fraldas de pano, livros, roupinhas de algodão orgânico, nossa, muita coisa. Vale a pena conferir: WWW.ecob.com.br.
Enquanto Miguel se divertia com um estande de brinquedos educativos eu ia me conectando com crianças lindas, mães e pais: Pablo, Edu, Thomas, Cris, Puã, Pétala, Bento e outros tantos nomes. Entre conversas sobre educação, saúde natural, alimentação das crianças ou novos filhos, íamos  tecendo uma rede tênue mas presente, com fios de amor e desejo de um mundo melhor para nossos pequenos.
 

com a doce Aylinn
 Mais uma história pra terminar:  Miguel colocou a mãozinha em uma barriga crescida que já se mexia, de uma menina florida  com quem me conectei muito, que mora em uma comunidade na Bahia. Ficou um tempo observando e até fechou um pouco os olhos pra depois exclamar: Luz! extamente como faz quando olha para as lâmpadas e para lua. São os canais abertos das crianças, percebendo tudo de uma forma muito mais sutil e intensa que a nossa.





quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mamar, desmamar, amar...sempre e até de olhos vidrados

Minha mãe conta que eu mamava com muita vontade, chegava a deixá-la dolorida. O bebê suga o alimento e água que se fazem leite e o calor e a energia materna que se fazem contato, com tanta gana quanto vontade de viver. Acho que fui uma bebê tormenta muito afoita por tomar-amar a vida que iniciava.
primeiríssima mamada
 do Mig orientada pela parteira Zeza
Depois foi minha vez de me tornar todo o alimento de Miguel, em colostro, leite, carinho. Está até registrado no vídeo do parto a minha emoção em sua primeira mamada, na primeira hora: “Que gostoso, puxou, tá  puxando!”.
Que coisa misteriosa este instinto, nossa parte mais divina! Que poderosa essa (in)compreensão, nossa parte mais humana. Demorei pra ver meu leite, embora Miguel mamasse bem e já tivéssemos aprendido uma boa pegada. Será que desceu mesmo? E Leandro, impaciente com minhas inseguranças: “Tu acha que ele está vivendo do quê? Prana?” Isso mesmo! Tanto prana que me levou a exaustão. Cansaço extremo no baby blues, dedicação integral (afinal, alimentá-lo era uma função pessoal e instransferível, dia e noite), sede, falta de libido, ausência de ciclo menstrual...Minha vida era tão somente a maternagem – hormonal e psíquica – escura, sonolenta, gostosamente quentinha, profundamente yin. Uma longa noite de amamentação. (Uma vez cheguei a sonhar que amamentava muitos bebês sucessivamente ou que havia vários Miguéis, enfim, loucuras de mãe).
Tive muita sorte e preparo, sem rachaduras, dor suportável (viva o chá de camomila e os banhos de sol).  O famoso empedramento só foi acontecer aos três meses, quando gripado ele não conseguia mamar e respirar ao mesmo tempo. Eu tirava o leite manualmente às gotas e lhe dava de colherinha com a homeopatia. Foi doloroso pra nós dois. Um dia, falando no telefone com minha mãe e espremendo o seio, começou a jorrar um chafariz de leite, algo nunca visto. Alívio...
A abundância maternal foi tão generosa comigo que tive o privilégio de dar de mamar a outro bebê que não era meu filho, mas de uma amiga e irmã espiritual que não pôde amamentar. Torcíamos tanto por esta criança – que amo de forma muito especial ainda hoje - que quando conseguíamos que ele pegasse meu seio meus olhos enchiam-se de lágrimas. Revivia a primeira mamada do Mig e talvez ancestralmente, as minhas vigorosas mamadas em minha mãe e de toda minha linhagem de humanos sobreviventes. Uma pulsação de vida em seu estado mais puro, que me toca profundamente.

uma das últimas mamadas com mais de 1 ano já, de "olhos vidrados"!

Há poucos dias, desmamei completamente Miguel, agora com 18 meses. Foi um processo lento,  suave e tranqüilo. Ele é uma criança saudável, feliz e amada, com muito apetite por comer, beber e viver. Me libertei de recomendações e teorias por vezes tão contraditórias, e senti literalmente em meu peito que era o momento pra darmos esse passo de maturidade e autonomia. Sem bico ou mamadeira, ele agora está pronto para outra fase de novas conquistas cognitivas. E pra outros “desmames” vida afora, sem precisar perder o precioso vínculo que criamos.     

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Doulas: muitas mãos e corações

As doulas são mulheres à serviço de outras mulheres na sagrada tarefa de dar à luz. É aquela que acompanha a mulher na grande jornada do parto, passo a passo, descendo nas profundezas de sua feminilidade selvagem, experimentando o ápice da dor e do êxtase. Suas ferramentas: duas mãos e um coração.


Encontrei muitas mulheres nesta vivência - Curso de Capacitação para Doulas, em Porto Alegre, outubro de 2010- dentro e fora de mim. Mulheres dotadas de uma coragem arrebatadora, mães cheias de carinho, almas abertas, punhos cerrados, dispostas a subir o rio corrente acima e também a deixar-se fluir. Organizando conhecimento através do contato mais sutil e assim gerar um mundo de paz. Um mundo para onde as mulheres empoderadas podem, em paz, trazer seus filhos.


Brunas, Micheles, Zezas, Ronices, Cibeles, Milenas, Racheis, Patis, Anitas, Zezés, Maris, Lucías, enfim...
todas as mulheres do mundo e Ric (a adorável parte yang do curso)
 Assistimos a muitos nascimentos que por seu encanto, beleza ou brutalidade nos levaram as lágrimas. Ouvimos também, com empatia, a história de muitas mulheres desde Eva e Lucy (muitas das quais ainda quero contar aqui!). Da mulher que foi ao salão de beleza em trabalho de parto, de outra que não permitia que o marido (treinado em massagens e piadas especialmente para esta hora) sequer a tocasse, mas bebia de longe suas simples palavras de amor.
Daquela tão forte que disse NÃO muitas vezes - com voz trêmula e firmeza anabalável- a médicos, enfermeiras e a todo paradigma tecnocrata que a mandava deitar no trabalho de parto para que não "matasse seu filho". Da enfermeira que proferiu esta ameaça e teve a graça de ver aquele bebê nascer como um milagre da natureza, pediu desculpas em lágrimas para esta mãe e por fim tornou-se filha do abraço de doula e das outras mulheres que estavam ali.
Da parteira como a mais antiga das profissionais, da fraternidade como condição para nossa sobrevivência enquanto espécie , do instinto que faz o bebê procurar os olhos da mãe nos primeiros instantes de sua vida fora do útero. Das loucas como nós. Histórias que recolhi como pedras preciosas impregnadas de energia e que levarei comigo para me guiem e carreguem de mais vida minha vida de mulher.